O que acontece nos Estados Unidos mexe com o dólar, a bolsa e os juros no Brasil. Aqui estão os dois termômetros mais acompanhados por lá: quanto o governo americano paga para se financiar e se as ações do S&P 500 estão caras ou baratas frente à própria história.
Os Treasuries são os títulos da dívida dos EUA e servem de referência de juros para o mundo inteiro: é com eles que o mercado compara qualquer outro investimento.
É a taxa anual que quem compra o título hoje recebe até o vencimento. Rendimento e preço andam em sentidos opostos: quando um sobe, o outro cai.
Quando os juros americanos sobem, aplicar nos EUA fica mais atraente. O dinheiro tende a sair de países emergentes, o que costuma pressionar o dólar para cima e a bolsa brasileira para baixo.
Cada linha é um prazo. Normalmente o de 30 anos paga mais que o de 5 (curva positiva). Quando o curto passa o longo (curva invertida), o mercado espera juros menores à frente, sinal que historicamente costuma anteceder desacelerações.
O S&P 500 reúne as 500 maiores empresas americanas. A pergunta é se o preço das ações sobe porque os lucros cresceram ou porque o mercado aceitou pagar mais por cada dólar de lucro — mais de um século de história ajuda a responder.
Preço dividido pelo lucro por ação: quanto o investidor paga por US$ 1 de lucro anual. Um P/L de 20× significa pagar 20 vezes o lucro de um ano.
A linha tracejada é a média desde 1900. Acima dela, o mercado paga mais que o habitual pela mesma unidade de lucro; abaixo, menos. Não é sinal de compra ou venda: o P/L pode ficar longe da média por anos.
Em cima, quanto o índice subiu; embaixo, quanto se paga pelo lucro. O P/L disparou em 2000 pela euforia com os preços e em 2008 e 2020 pela queda brusca dos lucros — os marcadores destacam esses eventos.